Escrevente do TJ-SP paga R$ 6.782,54 e Soldado da PM-AL, R$ 6.067,51. Veja como comparar salário, vagas reais e tipo de prova.

O Escrevente Técnico Judiciário do Tribunal de Justiça de São Paulo exige só ensino médio e tem remuneração de R$ 6.782,54, valor de março de 2026, mais auxílios. O edital saiu em 19/10/2026, com inscrições de 28/10/2026 a 10/12/2026 pelo site da Vunesp.

É um bom retrato do nível médio em 2026: salários que superam muitos empregos de nível superior na iniciativa privada, mas com detalhes de edital que mudam completamente a chance real de nomeação.

Quanto pagam os editais recentes

Os valores abaixo saíram de editais publicados em 2026 e acompanhados pelo Vaga Pública:

  • Escrevente Técnico Judiciário (TJ-SP): R$ 6.782,54, mais auxílios de alimentação, saúde e transporte, 40 horas semanais;
  • Soldado da PM de Alagoas: R$ 2.354,67 durante o curso de formação e R$ 6.067,51 depois de formado;
  • Soldado do Corpo de Bombeiros de Alagoas: R$ 2.354,67 como aluno e R$ 6.067,53 depois de formado;
  • Cargos de nível médio e técnico das Indústrias Nucleares do Brasil (INB): salário-base de R$ 3.452, pela CLT.

A diferença entre o maior e o menor valor passa de R$ 3 mil por mês. E o salário é só o começo da comparação.

Também é preciso comparar valores equivalentes. No TJ-SP, os R$ 6.782,54 são o total de vencimentos e vantagens informado no edital, e os auxílios vêm à parte. Na PM-AL, o salário cheio só chega depois do curso de formação. Na INB, o valor é o salário-base da CLT, sem os benefícios que a empresa possa pagar.

Vaga imediata ou cadastro reserva

Dos quatro exemplos, só os concursos militares de Alagoas oferecem vagas imediatas: 500 para Soldado da PM e 150 para Soldado dos Bombeiros. O Escrevente do TJ-SP e a INB são só cadastro reserva.

No TJ-SP há um detalhe a mais.

O edital proíbe nomear aprovados deste concurso antes do fim dos concursos de Escrevente da 2ª à 10ª Região Administrativa Judiciária homologados em junho de 2025. Na prática, quem passar entra numa fila que só começa a andar depois da lista anterior. Explicamos esse mecanismo no guia sobre cadastro reserva.

Nos concursos militares, a lógica é outra. As vagas imediatas existem, mas o caminho até a nomeação é longo: provas, teste físico, avaliação médica, avaliação psicológica, investigação social, exame toxicológico e curso de formação. Cada fase elimina candidatos, e o salário de soldado formado só começa depois do curso.

Na INB, o edital forma cadastro reserva com validade de dois anos, prorrogável por mais dois. As contratações dependem da necessidade da empresa nesse período.

Requisitos além do diploma

Ensino médio raramente é o único requisito.

Carreiras militares

As provas objetivas e discursiva da PM-AL estão marcadas para 17/01/2027 e as dos Bombeiros para 24/01/2027, em Arapiraca e Maceió, com taxa de R$ 150. Na PM e nos Bombeiros de Alagoas, há limite de idade, de 18 anos na matrícula a 30 anos até o fim das inscrições, e exigência de carteira de motorista. Os Bombeiros pedem CNH categoria B ou, em parte das vagas, C ou superior. As duas seleções têm teste físico, avaliação médica, avaliação psicológica, investigação social e exame toxicológico.

Tribunais

No TJ-SP, o Escrevente faz prova objetiva de 70 questões e redação, sem teste físico, em 14/03/2027. São 16 questões de Português, 30 de Direito e 24 de Conhecimentos Gerais. A redação vale 40 pontos e exige pelo menos 24 para aprovação.

O peso do Direito é o ponto de atenção: é matéria que muita gente de nível médio nunca estudou, e o edital exige acertar pelo menos metade dos blocos de Português e de Direito.

Estatais

Na INB, a contratação é pela CLT, sem a estabilidade do servidor estatutário. Os cargos técnicos exigem curso técnico na área, além do ensino médio. A prova objetiva de nível médio e técnico, organizada pela FGV, está prevista para 10/01/2027, com 50 questões e mínimo de 60 dos 120 pontos.

A lotação depende do cargo e se divide entre Resende (RJ), Rio de Janeiro (RJ), Caetité (BA) e Caldas (MG). Para quem mora perto dessas unidades, o salário-base menor pode ser compensado pela proximidade.

O que muda para quem já estudava

Quem vinha estudando para concursos administrativos genéricos, com Português, Matemática e Informática, precisa ajustar o plano conforme o alvo.

Para tribunais, o peso maior é jurídico: Direito Constitucional, Administrativo, Processual e normas internas do tribunal. Para carreiras militares, entram legislação da corporação, Direitos Humanos e o preparo físico, que leva meses. Para estatais, o conhecimento técnico do cargo costuma decidir a classificação.

Tentar todos ao mesmo tempo dilui o estudo. O caminho mais eficiente é escolher uma família de concursos e manter a base comum.

A mudança também é de ritmo. Concursos de tribunal pedem leitura de lei seca e muitas questões. Concursos militares pedem conteúdo e condicionamento físico em paralelo, com meses de treino até o teste. Concursos técnicos de estatais pedem revisão da formação técnica, que muita gente concluiu há anos e não usa no dia a dia.

Quem trabalha e estuda precisa considerar esse ritmo antes de escolher. Um edital com prova em três meses e conteúdo muito diferente do que você já sabe pode não ser o melhor alvo agora, mesmo pagando mais.

A base comum é o que se aproveita em qualquer edital: Português, raciocínio lógico, informática e noções de Direito Constitucional e Administrativo. Quem já domina essa base pode dedicar a maior parte do tempo ao bloco específico do concurso escolhido.

Um bom termômetro é resolver a prova anterior do concurso escolhido antes de começar o plano. O resultado mostra onde está a distância maior e evita gastar semanas em matérias que você já domina.

Como escolher o concurso certo

A escolha não precisa ser definitiva, mas precisa ser consciente. Um roteiro em seis passos ajuda a comparar editais diferentes com a mesma régua:

  1. Defina o que pesa mais para você: salário, estabilidade, cidade de lotação ou rotina de trabalho.
  2. Separe vaga imediata de cadastro reserva: com cadastro reserva, leia se há trava de nomeação ou concurso anterior ainda válido.
  3. Verifique os requisitos eliminatórios: idade, altura, CNH, curso técnico e teste físico eliminam antes da prova.
  4. Compare o conteúdo com o que você já sabe: quanto mais perto da sua base, menor o tempo até ficar competitivo.
  5. Olhe o calendário: prova em poucos meses favorece quem já está pronto; prova distante dá tempo de virar o jogo.
  6. Calcule o salário líquido: desconto de previdência e Imposto de Renda muda bastante o valor final, e você pode simular na calculadora de salário líquido.

Para quem vale: o nível médio é uma porta excelente para quem tem disciplina para estudar Direito, no caso dos tribunais, ou preparo físico e perfil para a carreira militar. Remunerações acima de R$ 6 mil com ensino médio são raras fora do serviço público.

Também vale para quem quer usar o primeiro cargo como degrau. Muitos servidores entram por um concurso de nível médio, concluem a graduação já com estabilidade e depois disputam cargos de nível superior, estudando com renda garantida.

Para quem não vale: quem precisa de emprego em poucos meses e não pode esperar a fila do cadastro reserva deve priorizar concursos com vaga imediata e calendário curto. E quem não se vê na rotina militar não deve escolher a PM só pelo salário, porque o curso de formação e a carreira cobram muito mais do que a prova.