Concursos policiais pedem exame de queratina com janela de até 180 dias, pago pelo candidato. Veja o que é analisado e o que elimina.
Este guia é para quem vai prestar concurso de polícia, bombeiro ou outra carreira que exija exame toxicológico. Ao final, você vai saber o que o exame procura, quanto tempo ele enxerga para trás, quem paga e em que situações ele elimina.
O que é o exame
É uma análise laboratorial que verifica se o candidato usou drogas em um período anterior à coleta. Nos concursos, o exame mais pedido é o de larga janela de detecção, feito com amostra de queratina, em geral cabelo ou pelos.
A janela é o ponto central. O exame de queratina registra o consumo ao longo de meses, por isso é o preferido quando o edital quer olhar o histórico do candidato, e não só o uso recente.
Quais concursos exigem
Não existe uma lei única que obrigue todo concurso a fazer o exame. A exigência vem da lei de cada carreira e do edital. Ela aparece com frequência em editais de carreiras policiais e militares.
Os concursos da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros de Alagoas, com provas em janeiro de 2027, são exemplos recentes. No edital da PM-AL, organizado pelo Cebraspe, o exame toxicológico é a última fase, eliminatória, e só é chamado quem foi aprovado em todas as etapas anteriores e está dentro do número de vagas e de cadastro reserva.
Janela de 90 ou 180 dias
A referência mais conhecida vem do trânsito. O Código de Trânsito exige exame toxicológico de motoristas das categorias C, D e E, com janela mínima de 90 dias, repetido a cada 2 anos e 6 meses para quem tem menos de 70 anos.
Concursos podem ir além. O edital da PM-AL pede janela mínima de 180 dias, contados da data da coleta. Na prática, o exame enxerga cerca de seis meses de histórico.
Esse é o ponto que mais exige atenção do candidato.
A janela maior do concurso significa que o candidato não consegue escolher um período mais favorável para colher, como às vezes acontece com exames de janela curta.
Quem fez uso eventual meses antes da inscrição pode ser surpreendido, porque a data que importa é a da coleta, não a da inscrição ou da prova. Num concurso policial, o caminho entre edital e exame pode passar de um ano: o da PM-AL foi aberto em março de 2026 e tem provas em janeiro de 2027. A conta precisa ser feita com cuidado.
O que reprova
O edital da PM-AL lista as substâncias pesquisadas e elimina quem tiver resultado positivo para qualquer uma delas:
- maconha e metabólitos do delta-9 THC;
- cocaína e metabólitos;
- anfetaminas e derivados;
- merla;
- opiáceos;
- psicofármacos.
Há uma ressalva para opiáceos: quem tiver resultado positivo pode apresentar receita, prontuário ou laudo médico que comprove uso terapêutico nos últimos 90 dias, junto com laudo psiquiátrico atestando que não há dependência.
Repare que psicofármacos estão na lista, e a ressalva escrita no edital da PM-AL é só para opiáceos. Quem usa medicação controlada com prescrição deve ler o edital do seu concurso com atenção e guardar receitas e laudos.
O resultado sai como apto ou inapto, depois de avaliação por junta médica. Quem for considerado inapto pode recorrer nos prazos do edital de resultado provisório.
Quem paga
Em geral, o próprio candidato. O edital da PM-AL diz que o exame deve ser providenciado às expensas do candidato e enviado por upload, com nome completo, documento de identidade, data da coleta e tipo de material. Faltar algum desses dados torna o exame inválido.
O custo do exame de larga janela pesa no orçamento de quem presta vários concursos. Vale pesquisar preço entre laboratórios credenciados com antecedência, para não ser pego de surpresa quando a convocação sair.
O edital também diz que, ao se inscrever, o candidato autoriza a coleta de material para novos exames toxicológicos a qualquer tempo, no interesse da Polícia Militar. Um resultado positivo em qualquer momento do concurso elimina, não só na fase específica.
Como se preparar para a fase
- Leia o capítulo do exame no edital logo na inscrição: janela exigida, material aceito e lista de substâncias.
- Separe receitas e laudos de qualquer medicação controlada que você use.
- Aguarde a convocação para colher e verifique no edital da fase se há data mínima ou máxima de coleta.
- Escolha um laboratório que emita o laudo com todos os dados pedidos.
- Revise o laudo antes do envio: nome, documento, data da coleta e tipo de amostra.
- Acompanhe o resultado provisório e o prazo de recurso no edital específico da fase.
Minha leitura é direta: o exame toxicológico não é etapa para se preocupar no fim do concurso, e sim no começo da preparação. Quem quer carreira policial precisa tratar os seis meses anteriores à coleta como parte do processo seletivo, e ter em mãos toda a documentação de medicação que usa.



