No Cebraspe, cada erro anula um acerto e o item em branco vale zero. Veja como a nota é calculada e quando vale arriscar.
No concurso da Controladoria-Geral da União aberto em outubro de 2026, a prova objetiva tem 170 itens e vale 260 pontos. Um candidato que acerte 120 e erre 50 não fica com 120 pontos: fica com bem menos, porque cada erro desconta o valor de um acerto.
É a regra que define o Cebraspe, banca do CGU, da Câmara dos Deputados, de polícias e de boa parte dos concursos federais. Entender o cálculo muda a forma de responder a prova e também a forma de estudar.
O concurso da CGU serve de exemplo porque o edital, publicado em outubro de 2026, traz todas as regras de pontuação em detalhe. A lógica se repete na maior parte dos editais da banca, mas os valores de cada item e as notas mínimas mudam de concurso para concurso.
Cada erro anula um acerto, e o branco vale zero
Na prova do Cebraspe não há alternativas de A a E. Cada questão é uma afirmação, chamada de item, e o candidato julga se ela está CERTA ou ERRADA.
A folha de respostas tem dois campos por item: C e E. Para pontuar, é preciso marcar um, e somente um. Marcação dupla vale zero, assim como o item deixado em branco.
No edital do CGU, a conta fica assim:
- resposta igual ao gabarito: ganha o valor do item;
- resposta diferente do gabarito: perde o mesmo valor;
- item em branco ou com as duas marcações: zero.
Nos conhecimentos básicos e complementares, cada item vale 1 ponto. Nos conhecimentos específicos, vale 2 pontos, para mais ou para menos.
Por isso se fala em nota líquida: é o total de acertos menos o total de erros, multiplicado pelo peso do item. Quem acerta 120 e erra 50 itens de 1 ponto termina com 70.
A nota líquida explica por que candidatos com muitos acertos às vezes ficam atrás de quem acertou menos, mas errou pouco. No Cebraspe, ser preciso rende mais do que responder tudo.
As notas mínimas pesam tanto quanto a nota total
O edital do CGU elimina quem tirar menos de 8 pontos na prova de conhecimentos básicos (40 itens), menos de 12 nos complementares (40 itens) ou menos de 54 nos específicos (90 itens de 2 pontos). E ainda exige pelo menos 78 pontos na soma das três.
Esse desenho é comum no Cebraspe. Uma prova muito boa em específicos não salva quem zerar o bloco básico.
Um exemplo com os números do CGU
Nos conhecimentos específicos do CGU, são 90 itens de 2 pontos, e o mínimo é 54.
Um candidato que acerta 50 e erra 20, deixando 20 em branco, faz 60 pontos: 100 pelos acertos menos 40 pelos erros. Passa.
Outro que acerta 55, mas erra 30, faz 50 pontos: 110 menos 60. Mesmo com mais acertos, é eliminado nesse bloco.
O exemplo mostra o centro da estratégia no Cebraspe: errar custa tanto quanto acertar rende.
A nota final mistura objetiva e discursiva
No CGU, a nota final é a nota das objetivas dividida por 26, somada à nota da discursiva dividida por 10. Por isso, um bom texto na discursiva pode compensar parte da diferença da objetiva entre candidatos próximos.
Chutar vale a pena quando a chance de acerto passa de 50%
Como acerto e erro têm o mesmo peso, a matemática é simples. Se a chance de acertar um item é de 50%, chutar tem resultado esperado zero: em média, cada acerto será anulado por um erro.
Acima de 50%, o chute passa a render pontos. Com 70% de confiança, por exemplo, a cada dez itens marcados o candidato tende a acertar sete e errar três, um saldo de quatro pontos.
Abaixo de 50%, marcar só tira pontos. Nesses itens, o branco protege a nota.
Também conta o peso do item. Nos específicos do CGU, um erro tira 2 pontos. Arriscar ali com confiança baixa custa o dobro do que custaria nos básicos.
Na prática, ninguém sabe a própria probabilidade exata. Mas dá para usar uma régua honesta:
- sabe a regra e reconhece o caso: marque;
- conseguiu eliminar uma interpretação e ficou com a outra: em geral vale marcar;
- não tem nenhuma pista e está escolhendo pela intuição: deixe em branco.
Atenção às notas mínimas
Há uma exceção à regra do branco. Se o candidato está perto do mínimo de um bloco, deixar muitos itens sem resposta pode eliminá-lo. Nesse caso, vale arriscar os itens em que tem alguma pista, mesmo com confiança um pouco menor.
Na prática, a decisão de chutar deve olhar o bloco, e não só o item isolado.
Estudar para o Cebraspe exige precisão, não só memória
Para quem vinha estudando com questões de múltipla escolha, a mudança é real. Na prova de alternativas, reconhecer a resposta certa entre cinco opções basta. No certo ou errado, uma única palavra trocada transforma o item.
A banca costuma explorar exceções, termos absolutos ("sempre", "somente", "em nenhuma hipótese") e pequenas mudanças de prazo ou de competência. Quem conhece a regra pela metade erra justamente nesses detalhes.
Três ajustes fazem diferença:
- treinar com itens da própria banca: resolver questões de outras bancas ajuda no conteúdo, mas não no formato;
- registrar o erro pelo motivo: falta de conteúdo, leitura apressada ou chute ruim pedem soluções diferentes;
- calcular sempre a nota líquida nos simulados: só assim o candidato descobre se deixa poucos ou muitos itens em branco.
Há ainda o cuidado com a folha de respostas. O edital do CGU considera indevida a marcação rasurada, emendada ou com o campo preenchido pela metade, e a folha é o único documento corrigido. Quem deixa para transcrever tudo nos últimos minutos corre o risco de perder pontos que já tinha garantido.
Uma rotina que funciona é transcrever por blocos ao longo da prova, deixando para o final só os itens em que ainda estiver em dúvida.
Por fim, vale ajustar a leitura. Itens do Cebraspe costumam ser longos e trazer mais de uma informação. Basta uma parte errada para o item inteiro ser errado. O hábito de sublinhar cada afirmação do item e conferir uma por uma reduz os erros por desatenção.
A discursiva também é forte no Cebraspe. No CGU, ela tem duas questões e entra na nota final, o que reforça a necessidade de treinar escrita desde cedo. O tema está no nosso guia sobre prova discursiva.
Perguntas frequentes
Deixar item em branco tira ponto no Cebraspe?
Não. Item em branco vale zero. Só o item marcado de forma diferente do gabarito desconta pontos.
Todo concurso do Cebraspe tem certo ou errado?
É o formato mais associado à banca, mas o que vale é o edital de cada concurso. O tipo de questão e o valor de cada item estão sempre descritos no capítulo das provas objetivas.
Quantos itens devo deixar em branco?
Não há número certo. Depende do quanto você sabe e da distância para as notas mínimas. O simulado com nota líquida é a melhor forma de descobrir o seu ponto de equilíbrio.
Marcar C e E no mesmo item anula a prova?
Não anula a prova, mas o item com marcação dupla vale zero, como se estivesse em branco.
A orientação para quem vai encarar o Cebraspe é treinar com a mesma régua da prova: resolver itens da banca, cronometrar e calcular a nota líquida a cada simulado. A regra completa de pontuação está no capítulo 8 do edital do concurso da CGU, e vale ler o capítulo equivalente de qualquer edital da banca antes da prova.



